PSDB teve maior crescimento nas eleições municipais após 2º turno; PT teve queda mais alta

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Os dois partidos que polarizaram as últimas sete disputas presidenciais, PSDB e PT saíram das urnas no segundo turno em situações completamente opostas. Por um lado, os tucanos tiveram o maior crescimento nas eleições municipais deste ano, na comparação com 2012. Em maré contrária, os petistas experimentaram a mais forte queda entre todas as legendas com expressão política nacional.

Fechada a conta dos dois turnos eleitorais, o PSDB vai comandar o maior número de eleitores nas cidades do país. No total, 23,9% dos cidadãos aptos a votar em 2016 serão governados por um prefeito tucano. O que equivale a um em cada quatro brasileiros quites com a Justiça Eleitoral. No comparativo com a sucessão municipal passada, esse universo saltou de 16,5 milhões para 34,4 milhões de pessoas, aumento superior a 100%.RTEmagicC_638a8ef767.jpg

A performance dos tucanos é a melhor desde 2004, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a divulgar o balanço dos resultados em dados digitais. Antes, o recorde pertencia ao PMDB, que em 2008 venceu em municípios que abrigavam 22,1% do eleitorado da época. Agora, esse índice é de 14,3%, embora em números absolutos, os peemedebistas ocupem o primeiro lugar no ranking de prefeitos eleitos, com 1.038 prefeitos, 17 a mais que em 2012.

Apesar de segundo mais vitorioso em número de prefeituras, o PSDB foi quem mais cresceu no grupo dos partidos com capilaridade nas urnas. No primeiro turno, ganhou em 789. Domingo passado somou  outras 14 cidades e fechou 2016 com 803, 15% acima de 2012, quando elegeu 695 prefeitos.

A expansão do PSDB se cristalizou após o resultado de anteontem. Das 57 cidades com segundo turno, os tucanos venceram em 14. Em seguida, vêm PMDB, PPS e PSB, com nove, cinco e quatro, respectivamente. Em quantidade de capitais, o PSDB também vai governar a fatia mais gorda, com sete prefeitos. Entre os quais, Porto Alegre, onde nunca havia vencido.

Contudo, há derrotas também entre os vencedores. Caso do senador mineiro Aécio Neves, cujo aliado na disputa em Belo Horizonte, João Leite (PSDB), foi derrotado pelo azarão Alexandre Kalil (PHS), candidato apoiado pelo governador paulista Geraldo Alckmin. Rival de Aécio no páreo pela chapa presidencial do partido, Alckmin já havia ganhado fôlego com a inesperada vitória de João Doria na sucessão em São Paulo. Agora, está isolado na dianteira.

Queda livre
Na ala dos partidos que mais perderam força na eleição municipal, o PT teve o pior desempenho. A onda de rejeição ao partido, que se manifestou com vigor no confronto de 2 de outubro, se repetiu no segundo turno. Os sete candidatos petistas que duelaram no segundo turno foram derrotados. As perdas  petista mais significativas se deram justamente em redutos dominados pelo partido.

Entre os quais, Vitória da Conquista, na Bahia, onde Herzem Gusmão (PMDB) acabou com 20 anos de hegemonia do partido, e o  chamado “cinturão vermelho paulista”, expressão usad para representar poder do PT em municípios no entorno da cidade de São Paulo. vitoriadaconqusita

Em especial, a região do ABC Paulista, berço político do partido. Com as derrotas no segundo turno dos petistas Carlos Grana, em Santo André, e Donisete Braga, em Mauá, além das já ocorridas no primeiro turno, o PT não comandará qualquer município na região industrial conhecida pela forte base sindical, um dos pilares que sustentam a política petista.

Com os resultados de domingo, o PT sofreu desidratação profunda no grupo de 92 cidades com eleitorado igual ou superior a 200 mil pessoa. Nesse conjunto, que abriga 38% dos votos do Brasil, os petistas só terão um representante: o prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre, reeleito já no primeiro turno.

Os números gerais amplificam o tamanho da desidratação enfrentada pelo partido que comandou a República por quase 14 anos. Em 2012, o PT elegeu 638 prefeitos. Agora, são apenas 254. Na quantidade de eleitores governados pela legenda, a queda é ainda mais expressiva – de 27 milhões para 4 milhões.

Base governista
Com a vitória em 12 das 18 capitais no segundo turno, os partidos que apoiaram o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e hoje formam a base do governo de Michel Temer (PMDB) ) saíram das urnas com força nos grandes colégios eleitorais do país.

O PMDB, por exemplo, venceu em três das seis onde estava na briga pelo comando: Florianópolis, com Gean Loureiro; Goiânia, retomada por Iris Rezende aos 82 anos de idade; e Cuiabá, com Emanuel Pinheiro. O PSD ganhou em Campo Grande; já o PPS governará Vitória.

Dos partidos da atual oposição, o PDT venceu em duas capitais: Fortaleza e São Luíz, ambos com prefeitos reeleitos. Ao mesmo tempo, o PCdoB reconquistou Aracaju para os aliados do PT.  O Psol, outra sigla ligada aos petistas, chegou ao segundo turno no Rio de Janeiro, mas acabou derrotado.

Inválidos
O número de brancos, nulos e abstenções também saiu do segundo turno mais forte. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que os votos inválidos nessa etapa somaram cerca de 10,7 milhões de pessoas. A quantidade corresponde a 32,5% dos 32,9 milhões de pessoas aptas a votar no domingo.

No segundo turno das eleições municipais de 2012, o número foi menor – de 8,4 milhões, ou 26,5% dos 31,7 milhões de eleitores). Em algumas cidades, como Florianópolis, os votos inválidos superaram o total obtido nas urnas pelo vencedor da disputa.

PRB ganha eleição na vitrine; nanicos saem vitoriosos
O fim da disputa eleitoral de 2016 sagrou ainda dois grandes vencedores. O primeiro é o PRB, braço político da Igreja Universal e principal força da bancada evangélica. Depois de amargar derrotas na briga pelo comando das maiores cidades do país, o partido conseguiu uma expressiva vitória no Rio de Janeiro, com a eleição do senador Marcelo Crivella, que disputou o segundo turno contra o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), apoiado pelas siglas ligadas ao PT.

A partir de agora, o PRB terá o comando sobre a principal vitrine do país, cuja imagem ganhou maior visibilidade após os Jogos Olímpicos deste ano. Em entrevista ontem, Crivella negou que sua vitória sinalize uma guinada conservadora na cidade. Buscando descolar-se da vinculação natural a sua religião, ele prometeu reforçar mecanismos municipais de defesa dos direitos da comunidade LGBT e de combate à intolerância religiosa. “Vou ser um inconformado com qualquer violência contra as minorias”, disse.

Ao comentar a repercussão negativa de sua eleição na imprensa internacional, Crivella afirmou que suas posições –  contrário à descriminalização do aborto e das drogas e à discussão de questões de gênero nas escolas – reverberam anseios da população que o elegeu. “Por que se fala de conservadorismo, se nós temos todo o respeito às expressões democráticas das minorias? Graças a Deus, no Rio não existe qualquer expressão de racismo. Se existe algum ódio ou intolerância religiosa, vai sumir na minha administração”, afirmou.

Ao mesmo tempo, os partidos nanicos e sem expressão política conseguiram espaço ao vencer a disputa em duas capitais importantes. Uma delas foi Belo Horizonte, que elegeu Alexandre Kalil (PHS). Descendente de árabe, Kalil assumiu dizendo que, em vez dos mortadelas do PT e coxinhas do PSDB, chegou a vez do quibe. Em Curitiba, Rafael Grecca (PMN) também colocou as siglas sem musculatura no mapa do poder nas capitais.

por Correio 24horas