Em assembleia, professores de Lauro de Freitas mantêm greve de 14 dias

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(Foto: Divulgação/Asprolf)

Em assembleia realizada nesta quinta-feira (25), os professores de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, decidiram manter a greve que já dura 14 dias. O encontro dos docentes foi para tratar sobre a reunião com a Secretaria Municipal de Educação, que ocorreu na quarta (25), mas terminou sem acordo.

A principal reivindicação dos professores é que alunos e docentes possam voltar a participar da eleição direta para o diretor escolar. Isso porque em novembro de 2015, o prefeito de Lauro de Freitas criou uma emenda na qual determina que será o poder Executivo que vai indicar os gestores dos colégios, não mais a comunidade escolar. Além disso, os professores também pedem melhorias na infraestrutura de algumas escolas municipais.

“Ontem levamos uma contraproposta da categoria. Falamos que a gente poderia participar da comissão tripartite proposta pela prefeitura, mas somente se os diretores exonerados fossem reconduzidos aos cargos e se o governo desse prazo para terminar os trabalhos da comissão até o dia 15 de março, por conta do ano eleitoral. A prefeitura, no entanto, disse que não tinha possibilidade de atender as exigências. Por isso, na assembleia de hoje, decidimos manter a greve”, destacou o coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Lauro de Freitas (Asprolf), Valdir Silva.

Conforme Silva, os professores que aderiram à paralisação representam a maior parte do quadro de funcionários do município.

“Na reunião, a gente também solicitou ao governo as questões do pagamento do retroativo dos trabalhadores, a infraestrutura das escolas e a melhoria das condições de trabalho. São reivindicações antigas, mas o governo tem dito apenas que iria sentar pra discutiro o assunto. Na assembleia, não aceitamos isso, porque desde o ano passado estamos discutindo essas pautas e achamos que a prefeitura não quer atender”, destacou.

Sobre a determinação da Justiça para que 50% dos docentes retornem às salas de aula, sob pena de multa diária de R$ 1 mil ao sindicato, Silva afirmou que a categoria pretende atender ao que foi determinado, mas somente após o sindicato ser notificado. A decisão da Justiça veio após ação da prefeitura, por meio da Procuradoria Geral do Município, para garantir o direto dos alunos matriculados na rede de ensino em Lauro de Freitas a frequentarem as aulas.

“Nosso advogado já teve acesso à liminar, mas ainda não fomos notificados oficialmente pela Justiça. Enquanto isso, a maioria dos professores está em greve”, destacou. O sindicato informou ainda que a Justiça não determinou o corte de salários dos professores que aderiram ao movimento.

Em nota, a prefeitura de Lauro de Freitas disse que mantém diálogo com professores e que, apesar de o sindicato ter iniciado o movimento de greve, as aulas da rede municipal começaram, conforme calendário escolar, em 15 de fevereiro. De acordo com o executivo municipal, todas as unidades estão em atividade, tendo professores e alunos em sala de aula.

Conforme a prefeitura, ficou acordado que a partir da próxima terça-feira (1º) será discutida em reunião a pauta reivindicatória do sindicato. Além disso, o executivo informou que, no dia 9 de março, em reunião sequencial, será tratado o piso nacional da categoria, processos e retroativos, A prefeitura também informou que, na reunião de quarta-feira (24), também foram discutidos os processos administrativos impetrados por professores que não aderiram à greve e que afirmam ter sofrido desacatos, constrangimentos e coação por parte dos grevistas, nos primeiros dias de aula. Segundo a prefeitura, os sindicalistas fizeram apelo ao secretário Marcelo Abreu, quanto a possibilidade da retirada da ação contra os agressores. A prefeitura disse, no entanto, que cabe ao reclamante decidir que atitude tomar.

A Asprolf nega as acusações e ressalta que a greve foi considerada legal pela Justiça. Uma nova assembleia da categoria está marcada para quarta-feira (2), um dia após a próxima reunião com a prefeitura.

Negociação
No dia 16 de fevereiro, os professores municipais de Lauro de Freitas participaram de uma reunião com o prefeito e secretário de Educação da cidade com o objetivo de definir propostas para dar fim à greve dos professores.
Durante a reunião, a proposta foi da criação de uma comissão tripartite, que terá a participação de um representante do sindicato, um do Executivo e outro do Legislativo. A comissão irá discutir o modelo de escolha de eleição direta do diretor das escolas. A proposta foi encaminhada para os demais integrantes do sindicato, que não aceitaram a proposta da prefeitura. Fonte: G1 BA